
SEM PALAVRAS...
A decepção é tão grande que não sei nem o que falar. Estou desde sábado a noite pensando em algo para colocar aqui, mas não me vem nada que preste. Então vou colocar aqui o texto do Márcio Serafini, jornalista, lúcido e muito conscinete. Quem dera se tivéssemos mais Marcios Serafinis na imprensa do Rio Grande. Segue o excelente texto:
Márcio Serafini - 26/11/2007 - JORNAL PIONEIRO
10 explicações para a queda (e não são todas)
1 - Caxias do Sul nunca reconheceu plenamente o que significa ter um time na primeira divisão nacional. Cerca de metade de sua população prefere o pay-per-view ao estádio, prefere estourar foguetes na janela a soltar o grito de gol na arquibancada. Com raras exceções, a forte economia local pouco investe em futebol, ignorando um marketing excepcional. No ano que vem, até a Ásia assistirá a jogos do Brasileirão ao vivo. Caxias está fora do banquete. Parabéns.
O Juventude é vítima dessa falta de apoio, mas em determinados momentos contribuiu para agravá-la. Uma administração mais transparente e profissional facilitaria a captação de investidores. E a "estratégia" de cobrar ingresso a R$ 30? Melhor nem lembrar...
2 - Não é fácil encarar o Brasileirão sem integrar o Clube dos 13. As verbas de TV são distribuídas de forma desequilibrada. Mesmo estando há 13 anos na Série A, o Juventude recebia mensalmente menos da metade da cota destinada ao Sport, que acabara de voltar da B. É difícil competir assim.
As duas questões acima são contextuais e ajudam a explicar o que aconteceu. Contudo, não impediram o Juventude de permanecer 13 anos na Série A, dos quais os últimos oito já sem a parceria com a Parmalat.
Portanto, são fatores verdadeiros, mas não determinantes. O rebaixamento só se consumou em função de erros cometidos no próprio Estádio Alfredo Jaconi, como estes:
4 - O Juventude endividou-se nos últimos anos. Ao final de cada temporada, verbas do ano seguinte eram antecipadas para cobrir os rombos. A bola de neve tornou-se incontrolável, gerando uma dívida que já passa de R$ 30 milhões e determinando a venda da sede campestre e do Centro de Treinamento para estancar a sangria. A nova direção deve instaurar uma auditoria para investigar as últimas três gestões.
5 - Contratações demais, com qualidade de menos, viraram rotina. Este ano, cerca de 70 jogadores passaram pelo Jaconi.
6 - O ano começou com a perspectiva de uma parceria milionária. A saída do alto escalão fez a multinacional desistir do ingresso no futebol brasileiro. O sonho ganhou asas e foi embora.
7 - O time idealizado por Ivo Wortmann no começo do ano não deu certo. Chegou à final do Gauchão sem convencer, derrubou um preparador físico pelo caminho e acabou por determinar a saída do próprio técnico.
8 - Ídolo e líder nos tempos de jogador, Flávio Campos foi a aposta da direção para o Brasileirão. Não deu certo. O técnico perdeu o vestiário, indicou reforços de qualidade discutível e não conseguiu dar padrão ao time. Em sua gestão, o goleador Da Silva foi dispensado por razões disciplinares. A direção demorou demais para mudar.
9 - Cláudio Duarte, o bombeiro da hora, conseguiu um ponto em 12 disputados. Antes que pudesse se recuperar, pediu o boné, incomodado com a presença junto ao grupo de um "guru" indicado pela patrocinadora do clube.
10 - Mesmo sem dinheiro, com trocas de comando, jogadores demais e time de menos, era possível escapar do rebaixamento. Bastava recorrer ao fator Jaconi. Mais duas ou três vitórias em casa e a situação seria outra. Pontos ganháveis escorreram entre os dedos: derrota para o Paraná, empates diante de Figueirense, Náutico, Atlético-PR e Botafogo.
Enfim, era isso.

O JOGO DO ANO
É assim que temos que encarar o jogo de domingo. Esse jogo tem tanta importância, mas tanta importância que resolvi agora, meia noite e meia de sexta feira, fazer este pequeno texto.
Texto este, que pode ser o último do Juventude na 1ª Divisão do maior campeonato do mundo. E não me venham falar em campeonato inglês, italiano ou espanhol. O nosso é o melhor.
Se perdermos este jogo, adeus 1ª divisão, adeus cota de televisão, adeus patrocínios, adeus exposição nacional, enfim, adeus a um monte de coisas importantíssimas.
Mas não escrevo como sendo o último texto e sim um complemento da maior virada, da maior revira-volta que o futebol brasileiro já viu, que será a permanência do Juventude na 1ª Divisão.
Sinceramente, eu não duvido de mais nada. Posso quebrar as pernas e no domingo a noite fazer um textinho me lamentando, falando dos prós que uma 2ª divisão pode ter. Mas tenho convicção que isto não ocorrerá.
Em jogo 94 anos de fortalecimento e crescimento, superação e conquistas. 13 anos consecutivos de muita briga, valentia, emoção e grandes títulos.
Se o preto não puder entrar em campo, que seja com o nosso manto alviverde mesmo. Uniforme que já venceu tantos favoritos, quebrou escritas, derrubou campeões, tornou-nos campeões.
Força Juventude, joga com a vontade dos últimos 2 jogos, com a disposição de quarta feira e com a valentia de todo bom time gaúcho. Não esqueça tuas origens, time guerreiro, peleador, bom de briga. Ao teu lado, uma torcida apaixonada, fiel, que pode perder apenas em quantidade, mas que em qualidade não deve a ninguém.
Gasta tua última gota de sangue. Não te entrega. Te peço mais este jogo, o terceiro para uma campanha que ficará marcada na história.
FORZA JUVE



PRIMO RICO X PRIMO POBRE
Assim eram encarados nossos confrontos na década de 90 (nossa, parece que faz muuuito tempo...) Alguns fatores nos tornam parecidos:
1- o Palmeiras tem origem italiana assim como o Juventude, afinal ambos os clubes foram fundados por descendentes e imigrantes italianos;
2- Os 2 clubes adotaram as cores verde e branco;
3- E o fator que mais aproximou os 2 times: a parceria de maior sucesso da história do futebol brasileiro, a parceria com a Parmalat.
O Palmeiras teve seu tempo de máquina, quando ganhou quase tudo que era possível. O Juventude também aproveitou e ganhou seus maiores títulos, além de se estruturar e se manter como força no futebol brasileiro. Claro, o Palmeiras sempre com muito mais dinheiro, sempre com os craques, mas o Juventude também tinha uma verba muito boa e sempre revelava e reabilitava grandes jogadores.
A Parmalat se foi, saiu do Juventude, saiu do Palmeiras. A vida tem que continuar e aqui estão as 2 equipes se enfrentando novamente. Em situações muito diferentes, por sinal.
E com toda essa disparidade , com um time um pouco atrevido e sem medo, mas com muita raça e vontade, conseguimos o que muitos times mais forte não conseguiram. Seguramos o Palmeiras e trouxemos a vitória pra casa. Vitória importante pra quem está dando os últimos suspiros já há algum tempo.
O Juventude jogou um primeiro tempo espetacular. Jogou de igual para igual e não se intimidou nem um pouco com a camiseta movida à bateria, do Palmeiras. Enfrentou o Palmeiras e chegou a vitória com um gol de cabeça do zagueiro Régis.
No segundo tempo o Palmeiras veio pra cima e as coisas complicaram um pouco. O juiz, que vinha fazendo um bom jogo, se complicou e queria dar a vitória ao Palmeiras a qualquer custo. Começou a inventar faltinhas, como a que rendeu uma bola na trave do grande Michel Alves. Depois não parou o jogo para atende o Alex Alves, que ficou caído em campo por quase 3 minutos e teve de agüentar até o fim do jogo, pois o Ju já tinha modificado por 3 vezes a equipe. E pra completar as cagad...s deu 6 minutos de acréscimos!!! Sim, 6 minutos. O juiz só não deu mais acréscimos porque não tinha mais dedos. Lamentável esse senhor. Estragou a bela arbitragem que vinha fazendo. Mas podiam jogar até agora que a bola não iria entrar. Hoje não.
O Palmeiras também não devolveu uma bola que havia sido jogada para fora, pela equipe do Ju. Que feio. Mas no fim prevaleceu a vontade, a garra e o espírito macanudo do Rio Grande do Sul. Mas vale lembrar que o Palmeiras jogou sem Valdívia e Edmundo, que sempre destrói contra nós...
Bom, continuo “cético”. Precisamos de 4 vitórias em 4 jogos e ainda torcer por resultados. Continuamos ferrados, mas um pouquinho mais felizes. A 2ª divisão continua muito perto, mas ao menos vamos para o jogo contra o São Paulo mais confiantes.
Se ganhar do São Paulo no Jaconi a coisa pode mudar. E o São Paulo deve vir de sangue doce (tomara). Jaconi lotado nesta quarta feira.
Força Juventude, jogando que nem hoje seremos grandes sempre.
AVANTI PAPADA

Diogo Cassina, gaúcho desde o nascimento, Juventudista antes mesmo de ter nascido. Papo de fé, freqüente nas bandas do Jaconi desde os tempos de Mário, Odair e cia. Testemunha viva ocular das maiores façanhas esmeraldinas. Publicitário, 24 anos, sócio da Raposa Criatividade Estratégica.